Por Erich Decat, diretor Institucional da TechReg Consultoria.
Na última semana, indicamos que, apesar dos entraves recentes, ainda persiste uma janela de oportunidade para o avanço do Projeto de Lei nº 278/2026 (PL do Redata) no Senado ao longo deste semestre.
No relatório “Messias, Amapá e Redata: o quebra-cabeça político que pode destravar bilhões?”, destacamos como elemento central desse cenário a possibilidade de distensão nas relações entre o Executivo e a cúpula do Senado, especialmente no contexto da indicação de Jorge Messias (AGU) para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.
Nesse sentido, ganha relevância o anúncio, realizado nesta quinta-feira, de que o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), agendou para o próximo dia 29 de abril a sabatina de Messias.
Ressaltamos que a definição da data ocorreu somente após sinalização positiva do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o que reforça a leitura de alinhamento político prévio.
Somam-se a essa leitura, as declarações do presidente Lula, realizadas na véspera do dia do agendamento da sabatina. “Não foi aprovado o Redata no Congresso Nacional, mas nós achamos que o Senado pode voltar a discutir o Redata, porque nós temos que continuar os nossos data centers”, afirmou Lula em entrevista ao ICL.
A nosso ver, esse movimento confirma a tendência apontada em análises anteriores: um ambiente de gradual acomodação entre Executivo e Senado, capaz de reabrir espaço para a retomada da agenda legislativa, incluindo o PL do Redata.
Adicionalmente, é importante considerar que o posicionamento de Alcolumbre também parece refletir uma avaliação estratégica do cenário político-eleitoral no Amapá, seu principal reduto. Em um contexto de maior competitividade local, a manutenção de canais de diálogo com o governo tende a ser um fator relevante.